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Saudade

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SAUDADE
Trabalhosa e
insistente
Esta chaga aberta
Dor tão manifesta
Na ferida injusta
Da ausência de ti
Mas, o tempo, ungido em graça
A agir se pôs
E, passando mansamente,
Tal qual suave aragem
Mostrou-me a clara verdade
De sua mensagem
Que desprovida de hipnótica dramaturgia
Refez-me,
Com isso ensinando-me a paz,
Agora,
Em pensar não me demoro,
Pois à luz das evidências
Irmanei-me à certeza
De que estás, aqui, próxima
Talvez em mim,
Tão meiga e afável
Nitidamente amorosa
Que em tua aparência de luz
Estás mais diáfana e leve
Que a saudade, ora finda.

SAUDADE
mordaz sentimento
em caprichoso relance
reassume o pensamento,
sem urgência alguma
nem mesmo constrangimento,
mas é de ti amada que falo agora,
basta-te
que somente me queiras
e me ames
neste agora flamante
desfazendo o passado
renegando o futuro
simples e docemente
esperando o amado
recostando-se no muro,
que mesmo escuro,
mostra-te perfeita,
em teu brilho multicor
mais que atraente
musa inspiradora, cativante,
que com a tua voz suave
plena de ternura
vê-se, figura dominante
é vã, qualquer previsão,
pois ao sentir-te neste agora,
em que te vejo
o que dizer do após,
da união dos lábios
da fusão dos beijos,
que nada,
morte à saudade,
mais vale o momento,
pois neste amar-te demais,
chego ao firmamento.

SAUDADE
Saudade é a dor que me invade
E com seu pérfido abraço
Tenta me tornar covarde
Ante o sublime dever de amar,
Mas amadurece em meu peito
Este imenso poder
Tão forte, imune, ileso
Que inócuo torna-me o sentir
Da já sôfrega e desfigurada saudade
Apátrida, na dubiedade do mal,
A si mesma, traiu,
Deixou-me em paz
Partiu sem fazer alarde
Estou feliz
Não mais a posso sentir
Exulto, pois a saudade,
Terminou de partir.
SAUDADE DE VOCÊ
Quero de
volta
Aquele pedaço de mim
que agora habita em você
Ouço seus passos
a todo momento
em todos os cantos
Você percorre meus labirintos
com seus olhos vendados
E na hora do meu sono
Conhece todos os caminhos
Como se de mim fosse o único dono
Hoje falta aquele pedaço
que sem meu consentimento
você docemente habita
e com seus ruidosos passos
todas as noites de um modo insano..
o meu sono leve.... agita
Você mora em todo o meu pranto
E no altar sagrado de minha alma
Voce é o meu Santo!
Na penumbra da noite
no silêncio do meu quarto
Lentamente seu rosto vem
tomando todos os meus espaços
E eu mergulhada nessa saudade louca
olho nos seus olhos e beijo sua boca
e meu corpo morno se perde em seus
braços